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Zen para Distraídos: o livro certo na hora certa

Foi em São Paulo que uma amiga me apresentou uma das obras da Monja Coen, o livro Zen Para Distraídos. Comentava com ela que a cada dia me interessava mais pelo Budismo e que gostaria de entender melhor a religião.

A promessa do livro é levar ensinamentos de Buda para quem deseja buscar o autoconhecimento e encarar o cotidiano caótico em que vivemos de forma mais leve.

Comecei a leitura em junho de 2019 muito animada. Mas eu confesso que simplesmente travei e deixei o livro esquecido na estante, como tantos outros.

Eu não sei explicar os motivos e a minha intenção não é fazer uma resenha crítica sobre a obra. O objetivo é refletir aqui como alguns livros parecem se encaixar perfeitamente em tantas trajetórias de vidas diferentes.

Chegou agosto e eu passava por problemas de saúde que me fizeram chegar no meu limite. Precisava de um tempo para cuidar de mim. Pedi férias do trabalho e iniciei uma rotina de autocuidado que envolvia exames médicos, terapia, fisioterapia, acupuntura e meditação.

Eu cresci em um lar muito religioso por influência da minha mãe. Acreditar em Deus e na sua palavra sempre fez parte da minha vida. Por isso eu recorria sempre à Bíblia para buscar alívio no meio da tempestade e ter a esperança renovada, ser “salva” por meio da prece.

Mas dessa vez eu fiz diferente. Resisti à tentação da escritura sagrada rs, olhei para a estante de livros e ali eu vi o Zen para Distraídos da Monja que eu tinha abandonado meses atrás.

Digo que foi uma grata surpresa, pois encontrei nas palavras da Monja ensinamentos mais pragmáticos sobre como devemos encarar os momentos de dificuldades. Afinal, são eles que nos fazem tomar um impulso para emergirmos do fundo do poço.

Tudo é transitório

Um dos princípios do Budismo é a de que tudo é transitório, tudo está em movimento. Que o segundo que passou não é igual ao próximo; e que tudo o que temos, neste momento, é o presente, o aqui e agora.

Quando estamos angustiados ou preocupados, o primeiro impulso é entrarmos em desespero, pensar que estamos em um beco sem saída. Isso já aconteceu com você?

Logo, o livro me fez racionalizar os sentimentos e lançar questionamentos pertinentes como: Por que estou sentindo isso? O que motivou essa sensação?

A ideia de transitoriedade me fez desapegar de estados emocionais que mais cedo ou mais tarde passarão. Porque essa é a verdade, vai passar, faz parte do nosso caminho, faz parte da vida.

É claro que não é tão simples como parece. Porém, no momento que temos essa consciência, fica mais fácil encarar nossas experiências de uma maneira mais leve, e de que tudo se esvai, tudo flui.

O livro foi a porta de entrada para eu aprender esse processo de perceber minhas ilusões, insuficiências e armadilhas. Entendê-las, abraçá-las (sim, a Monja sugere que falemos um “Oi, tudo bem? Você por aqui?”), e depois nos despedirmos.

Tudo está ligado

Dizem que os livros salvam. Eu acredito que sim, mas este não é o meu caso. No entanto, eu gosto de imaginar como tudo está ligado.

De pensar na linha do tempo que foi comentar com uma amiga o meu interesse pelo Budismo, que me levou ao livro, que foi jogado para o escanteio; coitado, mas que no final ressurgiu e se tornou o livro certo na hora certa.

Imagino que se eu tivesse terminado a leitura antes do turbilhão emocional pelo qual eu passaria meses depois, talvez eu teria encarado a experiência de outra forma. Mais leve, talvez.

Porém, eu penso que não teria criado um vínculo tão profundo com os ensinamentos do livro Zen para Distraídos e nem acolhido com mais gentileza os recuos e pausas que a vida nos apresenta.

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