livros construtores da empatia marina dutra

Lista de leituras desconfortantes e dolorosas

Olhos cheios de lágrimas, rosto vermelho e nariz escorrendo. Eu perdi a conta do número de vezes que essa cena se repetiu a cada página virada, absorvida, que cutuca e incomoda do livro Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus (Ática)

Testemunha dessas cenas, meu parceiro um dia me perguntou: “Por que você só lê livros tristes?”. Eu nunca tinha me feito essa pergunta antes. Parece que os meus olhos sempre foram atraídos por histórias que não são fáceis de digerir, pois exigem muito estômago para confrontar realidades que não repousam na minha.

Não é fácil. É preciso estar disposta para dar entrada à dor dos outros, porque isso significa ter que lidar com as nossas próprias fragilidades e falhas. Porque, além do mais, isso nos faz lembrar que estamos cercados de pessoas que vivem à margem da sociedade, ali, no Quarto de Despejo.

Além dos abraços e encontros tomados por nós mesmos pela pandemia, dias atrás eu refleti e percebi que ela me privou de enxergar de perto as dores coletivas. Que são aquelas situadas nas marquises de prédios desabitados, debaixo de viadutos, nos sinaleiros. Sem possibilidade de filtro e edições. Só a verdade visceral que o noticiário costuma reduzir a números. 

O livro da Carolina Maria de Jesus ficou meses no topo de uma pilha de livros ao lado da TV em casa. Eu, fechada no meu casulo, olhava para ele na tentativa de não me esquecer que o amarelo é o sol para alguns; e a fome para outros. 

Livros construtores da empatia

Gustavo Tanaka, colunista da revista Vida Simples, escreveu que a gente precisa ter disposição para sentir, ver, assistir, ouvir e ler o que nos causa desconforto e machuca. 

Por isso eu defino essa lista como “Lista de leituras desconfortantes e dolorosas”. Livros nos quais eu li ao longo de 2019 e que me deram nó na garganta. São leituras que eu também defino como construtoras da empatia, isso porque elas me fizeram rever preconceitos, mudar práticas e, acima de tudo, ter a certeza de que eu nunca quero estar do lado dos opressores

Sendo assim, eu te convido a mergulhar em histórias que modificam a nossa compreensão e identificação sobre mundos distantes dos nossos. 

Persépolis (Marjane Satrapi)

O Sol é Para Todos (Harper Lee)

O caminho de casa (Yaa Gyasi)

A Menina da Montanha (Tara Westover)

Hibisco Roxo (Chimamanda Ngozi Adichie)

Stasilândia (Anna Funder)

Como os animais salvaram minha vida (Luisa Mell)

Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (Maya Angelou)

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