amo berlim marina dutra

Das ist Berlin

Berlim, a cidade cinderela das capitais europeias, como definiu o escritor alemão Peter Schneider. Acho que ele tem razão. As primeiras imagens que vi de Berlim, dentro de um S-Bahn indo para Alexanderplatz, foram de seus prédios quadrados de seis andares, as casinhas de telhados vermelhos; as torres da Segunda Guerra Mundial abandonadas, e que resistem ao tempo servindo como um quadro em branco para artistas pintarem sua arte de rua.

Realmente não se vê nada igual às cúpulas de Roma ou como os telhados de zinco de Paris, como disse Schneider. Do S-Bahn vi, pela primeira vez, uma Berlim cinza, nublada; exibindo no meu horizonte a Torre de TV, o símbolo do que seria o triunfo do socialismo como acreditava o governo da Alemanha Oriental.

Berlim é diferente. É esquisita. Com gente de todos os tipos e lugares. Ela não oferece nenhum consolo aos olhos sedentos por belezas arquitetônicas e paisagens espetaculares.

Talvez por isso rolou uma conexão muito inesperada com essa cidade. Com o seu passado lembrado, exposto em cada lugar, nunca esquecido. Com sua história viva, dividida, unificada. Com sua atmosfera imperfeita, em movimento, em constante transformação. Com seu senso de liberdade desapegado dos padrões de beleza e das aparências.

Dizem que Berlim não é Alemanha e deve ser verdade. Ela ainda emana um cenário meio decadente, underground. Talvez por isso que David Bowie se refugiou na capital e nos presenteou com os versos “We can be heroes, just for one day”.

Foram poucos dias de visita, mas suficientes para me apaixonar, arrebatar o meu coração e querer voltar. Porque Berlim instiga curiosidade, a vontade de descobrir mais. Passou por reviravoltas, entrou em espirais, saiu, caiu, se levantou, sobreviveu a Hitler, ao nazismo, ao muro, e vive permanentemente construindo sua identidade. Das ist Berlin!

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